Todo dia é dia do coração!

A Federação Mundial do Coração definiu o Dia do Coração para estimular a preocupação com a prevenção das doenças do coração (17 milhões de mortos por ano no mundo). As doenças cardiovasculares matam pessoas nos países com renda média e baixa, não porque os países ricos não apresentem este tipo de doença, mas sim porque atendem melhor. Desta forma, a idéia é informar os fatores de risco para a população e atitudes que possam manter a qualidade de vida.
As mensagens da Federação são pelo abandono do cigarro, iniciar uma alimentação saudável e fazer atividade física. Tudo isto já é bastante conhecido, mas entre o conhecimento e a ação há uma distância enorme. Tomar uma atitude de mudança é muito difícil e só acontece, infelizmente, quando sofremos um evento grave (infarto do miocárdio ou derrame). A notícia ruim é que as doenças cardiovasculares vão continuar nos agredindo até 2040.
Assim, é melhor colocar a prevenção na sua rotina!

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Doenças Incapacitantes

Uma pesquisa importante sobre mortalidade e incapacidade provocada por doenças mostrou dados muito sérios. Aqui no Brasil quase 20% dos problemas incapacitantes apresentados pela população são por transtornos psiquiátricos tais como depressão, psicose e alcoolismo. O que chama muito a atenção é o aumento da mortalidade pelas demências (inclui a doença de Alzheimer), pois a longevidade contribui para o aparecimento das doenças psiquiátricas.

Os estudos publicados pela revista “Lancet” trazem como problemas de saúde emergentes a diabetes, a pressão alta e alguns tipos de câncer (de mama, por exemplo). As mudanças alimentares contribuíram para este novo padrão, pois estão associadas ao maior consumo de carboidratos, sal e gordura.

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Depressão e doença do coração

A experiência clínica sempre mostrou como a depressão favorece a pior evolução dos pacientes cardiológicos e como influi nos eventos cardíacos agudos. Os trabalhos atuais mostram a alta prevalência (30-45% dos pacientes com doença coronária) da presença de depressão nos pacientes cardíacos.

A depressão tem um impacto negativo na evolução da doença do coração, influindo na qualidade de vida, atividade física e na reinternação. Vários mecanismos, tanto comportamentais como fisiológicos, estão implicados na relação entre depressão e piora dos quadros cardíacos. A depressão aumenta as substâncias inflamatórias que pioram a condição das artérias, principalmente no processo de ateroesclerose (depósito de gordura nas artérias). A depressão altera o equilíbrio do sistema nervoso autônomo, aumentando a atividade simpática (liberando noradrenalina), facilitando o aparecimento das arritmias. Os pacientes deprimidos têm mais dificuldades para fazer prevenção, exercícios, dieta e tomar medicação.

Desta forma, é fundamental o cuidado com esses pacientes e o tratamento adequado com psicoterapia e medicações específicas.

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Solidão X Mortalidade

As observações clínicas têm nos mostrado que as pessoas que não possuem uma rede de relacionamentos (família, amigos etc.) apresentam maior facilidade de ficar doentes.

Os trabalhos científicos (mais de 700) com dados epidemiológicos confirmam que há uma relação muito importante entre solidão e maior mortalidade.

As pessoas que vivem sós e sentem a solidão ficam mais estressadas, têm mais depressão, fadiga e falta de prazer nas atividades. Os hábitos são ruins, não comem saudavelmente, não dormem bem, fumam e exageram na bebida. Os hormônios do “stress” (adrenalina e cortisol) favorecem as doenças cardiovasculares e baixam a imunidade, facilitando as doenças infecciosas. Desta forma, a busca dos grupos familiares, ações entre amigos, ajuda para os necessitados, tudo isto pode ser uma forma de evitar a solidão (e também as consequências dela).

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Ano novo, vida nova, mas será que mudamos a nossa rotina?

Os pesquisadores têm investigado algumas mudanças nos hábitos que possam nos ajudar a viver mais e melhor. Assim vamos a algumas das observações.

Manter os relacionamentos familiares afetivos com pais e parentes garante menos doenças do coração. Bom humor, boas risadas e até uma gargalhada funcionam como um pequeno exercício, diminuindo o estresse e melhorando a defesa imunológica.

Tomar chá, se possível chá verde, pois este tem mais antioxidantes naturais, previne as doenças do coração. Nozes, amêndoas, castanhas e semente de girassol podem ser comidas em pequenas quantidades, prevenindo doenças como a diabetes. Não esqueça que é possível comer duas pequenas barras de chocolate amargo por semana, pois são ricos em potássio, magnésio e ferro.

Finalmente, tenha mais otimismo, perseverança, seja resiliente, pois estas pessoas vivem 10 anos mais que os pessimistas. Mantenha a sua rede social, os amigos nos deixam mais saudáveis e a família nos dá suporte emocional. Procure o autoconhecimento, os caminhos da qualidade de vida, enfim, faça alguma coisa diferente para o novo ano.

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Abuso de exames

A importância da contribuição dos exames de imagem para o diagnóstico de várias doenças já está reconhecida pelos médicos. O que agora surge como uma grande preocupação é o abuso da solicitação de exames que submetem o paciente a grande quantidade de radiação.

A tomografia, a mamografia e o antigo Raio-X de tórax utilizam a radioatividade para conseguir as imagens do nosso corpo. Não há dúvida de que fazer um exame anual ou numa emergência não é arriscado… O que está acontecendo é a utilização das tomografias na rotina e, em alguns casos, a cada 3 ou 4 meses, pois este exame tem muito boa resolução.

O abuso pode modificar as nossas células e aumentar o risco de câncer. Desta forma, os profissionais estão buscando alternativas como o Ultrassom e a Ressonância Magnética, que não emitem radiação.

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Depressão e ritmos biológicos

O nosso relógio biológico é controlado por substâncias cerebrais que interferem nos mecanismos de sono e vigília (o estar acordado). O período do sono, desde seu início até o despertar, depende de hormônios que facilitam o adormecer, diminuem a temperatura corporal, a pressão arterial e relaxam o corpo. Desta forma, os hormônios do “stress” diminuem durante a noite e aumentam ao despertar, elevando a pressão arterial e estimulando o metabolismo corporal.

As pessoas deprimidas têm dificuldade para dormir, aproveitam um tempo menor do sono, não passam pelas fases profundas e despertam mais precocemente. Os pesquisadores estão buscando tratamentos com antidepressivos que possam melhorar a qualidade do sono e assim também as atividades diárias.

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Viver muito será viver bem gordo!

O mundo já apresenta um obeso para cada dez adultos e, além dos Estados Unidos, com mais da metade da população com sobrepeso, a China é o destaque, com o maior aumento nos últimos 30 anos. O Brasil acompanhou a tendência de aumento de peso da população, e esta epidemia mundial só tende a crescer.

Um estudo internacional mostrou algumas constatações importantes, como a redução do sono na população em 2 horas, e dormir menos tem relação direta com a obesidade. As pessoas não fazem mais exercícios, estão cada vez mais sedentárias e comendo muito mais do que precisam. Vivemos num constante estímulo dos hormônios do “stress”, adrenalina e cortisol, desequilíbrio do gasto de energia e do hormônio da saciedade. Assim, a tendência é facilitar o ganho de peso, além do aumento da utilização de comida processada, muito mais calórica do que a comida fresca (in natura).

Desta forma, nós observamos a relação do consumo alimentar com a ansiedade, a correria, o “stress” emocional e a facilidade com a satisfação primitiva do comer. A mudança para hábitos alimentares adequados requer muito sacrifício pessoal e um trabalho na esfera emocional, para não resolver as “tensões” pela boca.

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Infarto e exercício físico

A atividade física já é reconhecida como uma forma eficiente de prevenção das doenças cardiovasculares. A discussão sobre os benefícios desta atividade nos indivíduos com doenças do coração é antiga, mas não há dúvida de que o exercício baixa a pressão arterial e melhora a função de bomba. A novidade é o exercício físico precoce após o infarto do miocárdio, pois a recomendação antiga sugeria só após 30 dias.

Os pesquisadores agora sugerem que se inicie o exercício logo após a primeira semana. Não há dúvida de que o coração, como um músculo, se recupera melhor em atividade, porém temos que ter alguns cuidados. Os infartos variam de extensão e as complicações não são raras. Desta forma, dependendo da boa evolução do infarto do miocárdio, a possibilidade do exercício é interessante. É importante criar no doente do coração o hábito do exercício, que é muito saudável e pode ajudar na prevenção de novos eventos.

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Doenças mentais crônicas impedindo a atividade dos brasileiros

Os trabalhos publicados em revistas internacionais sobre dados de doenças crônicas no Brasil são muito esclarecedores.
Os estudos avaliam as doenças que afastaram os brasileiros do trabalho e que aumentaram a mortalidade. O que chamou atenção foi que o diagnóstico de doenças psiquiátricas foi responsável por quase 20% da incapacidade de trabalho no país. Dentro deste grupo, a depressão foi responsável por 10% das situações de afastamento do trabalho. As demências também aumentaram os óbitos dos idosos, pois com a longevidade os distúrbios neurológicos vêm crescendo ano a ano.
O segundo grupo de doenças crônicas incapacitantes são as cardiovasculares, o terceiro são as respiratórias e em quarto os cânceres, crescendo a cada ano.

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