Porque os homens não vão ao médico!

As mulheres são muito mais cuidadosas que os homens, pois procuram seus ginecologistas anualmente, que funcionam assim como seus médicos de confiança. Os nossos colegas do sexo masculino não têm o hábito da prevenção e poucos procuram a avaliação médica anual, importante principalmente após os 40 anos. Desta forma os homens vivem menos que as mulheres, pois têm hábitos menos saudáveis e mais fatores de risco, como pressão alta, diabetes, colesterol alto, sobrepeso e câncer.

A genética também é muito importante, pois nossa história familiar pode determinar maiores cuidados com alguns fatores de risco. A medida da pressão arterial deve ser feita desde jovem, principalmente quando pressão alta na família. O teste ergométrico pode ser realizado após os 20 anos e até mais cedo se o jovem for praticar esportes competitivos.

As avaliações dos fatores de risco para as doenças do coração também devem ser feitas precocemente para dar início à prevenção. As avaliações dos pulmões, do aparelho digestivo e da próstata são realizadas a partir dos 50 anos, se não houver qualquer intercorrência no período. Os homens devem criar os hábitos saudáveis, presentes nas mulheres, mantendo avaliações anuais e específicas para a faixa etária. Assim, passa a ser muito importante ter o seu médico de confiança que o acompanhará no decorrer da vida.


Ansiedade exagerada: muita adrenalina no organismo!

As respostas do organismo às situações de estresse do dia a dia estimulam a liberação do hormônio adrenalina, que produz várias respostas corporais. As mais conhecidas são palpitações, pressão alta, falta de ar, aumento do açúcar no sangue, ansiedade, má digestão, insônia, entre outras. Dentre estas respostas, a ansiedade se expressa de várias formas, trazendo sintomas variados. Ela pode surgir de forma generalizada, quando vivenciamos os problemas comuns da vida com excessiva preocupação. Isto provoca insônia, irritação, dor de cabeça e falta de concentração. A ansiedade pode surgir como um episódio súbito e intenso de medo sem razão aparente; é o chamado ataque de pânico. Os sintomas são muito conhecidos, como uma sensação de morte iminente, taquicardia, suor frio e tonturas. A síndrome do pânico leva o indivíduo ao pronto socorro e exige, além do apoio psicológico, medicação específica durante alguns meses e acompanhamento clínico.
A ansiedade pode surgir na forma de fobias, como por exemplo a fobia social ou aquelas que surgem em situações específicas (claustrofobia, por exemplo). Desta forma, as situações em que a ansiedade se torna insuportável podem exigir a ajuda dos especialistas da área psi (psiquiatras e psicólogos), os quais podem orientar o tratamento. Não desvalorize os sintomas da ansiedade, procure rapidamente um especialista!

Estresse e obesidade

Tudo aquilo que os médicos observamos na nossa atividade diária vem sendo comprovado pela ciência. Você tem dúvidas que dificuldades financeiras, familiares, afetivas trazem aumento de peso? Quem nunca percebeu que situações conflitivas mal resolvidas, depressão e limitações na atividade diária fazem as pessoas buscarem alívio na comida? O chocolate que o diga! O estresse estimula a fabricação do cortisol, que aumenta o desejo de comer, porém diferem os agentes que estressam homens e mulheres. Elas se estressam mais com problemas familiares, limitações financeiras e relacionadas ao trabalho, eles costumam não se estressar com problemas familiares, mas sim com problemas de trabalho e quando enfrentam novos desafios.
Desta forma, o que fica claro é que as pessoas, quando ficam estressadas, modificam seus hábitos alimentares, em geral, para o exagero. Tudo isto varia com o gênero, os tipos de alimentos, os hábitos inadequados e o espaço mental para suportar as tensões. De qualquer maneira fica evidente pelas pesquisas que para perder peso não adianta só mudar a dieta, mas sim diminuir ou até eliminar os fatores desencadeadores do estresse. Assim, o ideal é reunir o exercício físico, a dieta e o tratamento psicoterápico para aliviar a ansiedade ou a depressão, buscando sempre uma orientação especializada. Prevenção é para toda a vida.

Mudanças de temperatura facilitando as doenças respiratórias

As diferenças de temperatura muito intensas são desencadeantes das crises de rinite e asma, presentes em mais de 30% da população, responsáveis pela maior parte das alergias respiratórias. As reações alérgicas são respostas exageradas do sistema imunológico às substâncias consideradas estranhas pelo organismo. Os jovens são os mais sensíveis às mudanças climáticas, poeiras domésticas, pêlos de animais, cigarros, pequenos ácaros e a poluição, hoje considerada um grande fator de risco ambiental.
A asma pode acometer pessoas dentro de uma mesma família e também outras que nunca sentiram nenhuma crise prévia. A reação inflamatória dos brônquios faz com que eles tornem-se inchados, dificultando a passagem do ar. Desta forma surgem o chiado no peito, a tosse seca e a falta de ar, que podem se manifestar durante atividade física, na presença das substâncias precipitantes e também com os resfriados e gripes. O chamado broncoespasmo, estreitamento agudo dos brônquios, deve ser cuidado rapidamente, pois pode evoluir para a insuficiência respiratória.
A rinite traz sintomas conhecidos, como coriza, espirros e nariz entupido, sendo acompanhada de complicações, como a sinusite e a otite. Procure o seu alergista para uma orientação especializada.

O frio chegando: alerta para os asmáticos

A piora nos índices de poluição e as mudanças de temperatura são os problemas que levam muitas pessoas com crise de asma aos prontos-socorros. O período do inverno é o recordista em casos de problemas respiratórios, pois os ambientes ficam menos ventilados e existe maior quantidade de mofo e pó doméstico (ácaros).
Os principais agentes desencadeadores de uma reação alérgica em casa são os agentes microscópicos presentes no pó doméstico, além dos pêlos de cães e gatos.  Além disso, outros agentes podem piorar o quadro, como cigarro, tintas, solventes, produtos de limpeza e perfumes. Podemos evitar os quadros alérgicos agudos ficando longe de ambientes poluídos ou com fumaça de cigarro e muito pó. Outras ações também colaboram, como lavar as roupas de lã e os cobertores e tapetes e colocar as plantas, as cortinas e os bichos de pelúcia para fora do quarto.
Os sintomas da asma já são bastante conhecidos: falta de ar, chiado no peito e tosse, podendo evoluir com muita falta de ar, taquicardia (aumento da frequência do coração) e suor intenso. A asma é mais frequente do que parece, sendo que 10% das crianças e 5% dos adultos norte-americanos podem apresentar a crise por maior sensibilidade dos brônquios aos fatores conhecidos.
Prevenção, orientação médica e medicação específica são as grandes armas para se evitar e controlar a asma!

Sinusite: uma das complicação das gripes e resfriados

A sinusite é definida como um processo inflamatório da membrana que reveste o nariz e as cavidades ao seu lado, chamadas seios paranasais. Os sintomas mais comuns no quadro agudo são: dor na região superior dos dentes, sensação de pressão na face, congestão e obstrução nasal com secreção espessa pelo nariz e garganta. Outros sintomas, como febre, dor de cabeça, dor de ouvido, tosse e mau hálito podem também acompanhar o quadro. Um sintoma muito comum é a tosse irritativa noturna, pois ao deitar as sensações descem pela garganta e irritam as vias aéreas, desencadeando a tosse. O diagnóstico é feito pelo quadro clínico e pela observação do local pelo otorrino e ainda, se necessário, exames de imagem.
A gripe ou resfriado arrastados, com duração acima de 5 ou 10 dias, trazem em geral complicações como a pneumonia e a sinusite. O tratamento da sinusite é eficiente com anti-inflamatórios, descongestionantes e antibióticos, às vezes mantidos por 15 dias.
A sinusite tem cura, porém alguns indivíduos têm sinusites de repetição por problemas locais, principalmente os que têm rinites e desvio do septo. A maior parte dos pacientes melhoram com tratamento clínico. Alguns casos podem evoluir para obstruções importantes e necessitam procedimentos invasivos, pois a proximidade com a região cerebral pode levar a uma infecção mais grave. Procure seu médico para uma avaliação especializada.

Novamente a dieta do Mediterrâneo

Um estudo realizado por universidades da Grécia e dos Estados Unidos acompanhou quase 24.000 indivíduos que se submeteram à conhecida dieta do Mediterrâneo. Os pacientes não eram portadores de doenças cardiovasculares, câncer ou diabetes. A dieta sugere um cardápio com muitas verduras, frutas e legumes, muitos peixes e pouca carne e consumo moderado de álcool (vinho).
Durante quase dez anos de observação, os resultados mostraram que a mortalidade foi menor nos indivíduos que consumiram vinho moderadamente (5 doses por semana), com redução de 24% e nos que diminuíram a ingestão de carne vermelha e tiveram alto consumo de vegetais, com redução de 17%. Os flavonoides presentes na uva têm ação antioxidante, protegendo as artérias e as deixando mais elásticas, mas o álcool em excesso pode trazer outros problemas como pressão alta, acúmulo de ácido úrico e triglicérides altos no sangue, entre outros.
Assim, as outras sugestões da dieta mediterrânea, como frutas, cereais, fibras, nozes, etc. tiveram impactos menores, mas foram muito produtivas. A escolha dos alimentos é uma decisão nossa, podendo ser mudada e adaptada quantas vezes for necessário. A dieta adequada, junto com a atividade física, são as mais eficientes ferramentas para mudarmos o estilo de vida e fazer disto a prevenção das doenças cardiovasculares.

Hábitos inadequados e pressão alta

O resultado de um trabalho realizado na Universidade de Harvard (EUA) mostrou que alguns hábitos inadequados podem favorecer a subida da pressão arterial. Foram avaliados mais de 83 mil voluntários com idade média de 40 anos, com a finalidade de se observar os efeitos do uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios e de outros cinco hábitos capazes de interferir no desenvolvimento da doença hipertensiva.
O grupo foi acompanhado durante 14 anos e os pacientes não apresentavam diabetes, pressão alta ou doenças cardiológicas no início da pesquisa. Os fatores de risco avaliados foram obesidade, dieta inadequada, atividade física irregular, consumo de álcool e de outros suplementos tais como vitaminas e analgésicos.
O estudo concluiu que o fator de risco mais agressivo foi a obesidade (40%), mas também ficou evidente que a dieta inadequada (muito sal, condimentos, frituras e gorduras, álcool em excesso) contribui para o desenvolvimento da pressão alta. A utilização dos analgésicos e anti-inflamatórios em exagero aumentou em 17% a possibilidade de se desenvolver a hipertensão arterial. A falta de exercício físico também chamou atenção como fator de risco aumentando em 14% o risco de pressão alta.
O importante é que os cuidados para se evitar a hipertensão arterial estão sob nosso controle, só falta assumir o comando. Prevenção é para toda a vida!

Estudo mundial dos fatores de risco para o infarto do miocárdio: quais são os piores?

O maior estudo no gênero, que envolveu 52 países, 262 centros de referência, incluindo 15.152 casos de infarto e 14.820 casos-controle durante 5 anos, com indivíduos sem história de doença do coração prévia, alcançou resultados muito importantes. Os investigadores queriam saber o impacto dos fatores de risco convencionais, como tabagismo, pressão alta, colesterol elevado e diabetes, e dos fatores emergentes, como obesidade abdominal, homocisteína, fatores nutricionais e psicossociais.
Ainda tratou-se de incluir uma preocupação com os tipos de população, sua etnia e origem geográfica. Numa avaliação global, nove fatores de risco foram significantemente associados ao infarto agudo do miocárdio, sendo consistentes em todas as regiões, grupos étnicos e em homens e mulheres. As apoliproteínas (marcadores do risco do colesterol) e o tabagismo foram os mais importantes preditores. O diabetes, a pressão alta, a gordura abdominal e fatores psicossociais foram preditores moderados. A atividade física, o consumo de frutas e vegetais e a utilização de bebidas alcoólicas foram os preditores menos importantes.
A avaliação destes fatores chama à atenção a importância do tratamento das doenças crônicas (diabetes, obesidade, pressão alta, colesterol alto) e os cuidados com os hábitos de vida (tabagismo, alimentação, atividade física e alcoolismo). A importância dos fatores psicosocias (stress, depressão, etc) veio com grande importância na avaliação do trabalho. O tratamento medicamentoso para a pressão alta, diabetes e colesterol alto, com as estatinas, são cuidados fundamentais para manter a saúde do coração.

Atenção para o mau humor! Ele pode estar escondendo uma depressão

A chamada distimia ou doença do mau humor está atingindo 3% da população mundial e muitas pessoas não percebem que estão doentes. Os sintomas são vários e os que chamam mais a atenção são: irritabilidade fácil, baixa autoestima, cansaço crônico, tendência ao isolamento, emagrecimento, agressividade e dificuldade para dormir. Os sintomas devem estar presentes durante um período longo (anos), pois não se deve confundi-los com um período difícil profissional ou pessoal.
A distimia é provocada por características genéticas, psicológicas e ambientais. As substâncias, como a serotonina e a noradrenalina, envolvidas na transmissão cerebral dos processos emocionais, estão alteradas. Os sintomas corporais são muito frequentes, como dores nas costas, de cabeça (enxaqueca), abdominais, e até alterações na pressão arterial.
Uma observação importante é que a distimia pode predispor à depressão. A Organização Mundial da Saúde descreve que 70% dos adultos com depressão tiveram distimia na infância ou adolescência. Desta forma, observar as modificações do humor e procurar ajuda especializada quando as dificuldades forem persistentes seriam as orientações para evitar processos mentais mais graves tanto nos adultos como nos jovens.