Hábitos inadequados e pressão alta

O resultado de um trabalho realizado na Universidade de Harvard (EUA) mostrou que alguns hábitos inadequados podem favorecer a subida da pressão arterial. Foram avaliados mais de 83 mil voluntários com idade média de 40 anos, com a finalidade de se observar os efeitos do uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios e de outros cinco hábitos capazes de interferir no desenvolvimento da doença hipertensiva.
O grupo foi acompanhado durante 14 anos e os pacientes não apresentavam diabetes, pressão alta ou doenças cardiológicas no início da pesquisa. Os fatores de risco avaliados foram obesidade, dieta inadequada, atividade física irregular, consumo de álcool e de outros suplementos tais como vitaminas e analgésicos.
O estudo concluiu que o fator de risco mais agressivo foi a obesidade (40%), mas também ficou evidente que a dieta inadequada (muito sal, condimentos, frituras e gorduras, álcool em excesso) contribui para o desenvolvimento da pressão alta. A utilização dos analgésicos e anti-inflamatórios em exagero aumentou em 17% a possibilidade de se desenvolver a hipertensão arterial. A falta de exercício físico também chamou atenção como fator de risco aumentando em 14% o risco de pressão alta.
O importante é que os cuidados para se evitar a hipertensão arterial estão sob nosso controle, só falta assumir o comando. Prevenção é para toda a vida!

Estudo mundial dos fatores de risco para o infarto do miocárdio: quais são os piores?

O maior estudo no gênero, que envolveu 52 países, 262 centros de referência, incluindo 15.152 casos de infarto e 14.820 casos-controle durante 5 anos, com indivíduos sem história de doença do coração prévia, alcançou resultados muito importantes. Os investigadores queriam saber o impacto dos fatores de risco convencionais, como tabagismo, pressão alta, colesterol elevado e diabetes, e dos fatores emergentes, como obesidade abdominal, homocisteína, fatores nutricionais e psicossociais.
Ainda tratou-se de incluir uma preocupação com os tipos de população, sua etnia e origem geográfica. Numa avaliação global, nove fatores de risco foram significantemente associados ao infarto agudo do miocárdio, sendo consistentes em todas as regiões, grupos étnicos e em homens e mulheres. As apoliproteínas (marcadores do risco do colesterol) e o tabagismo foram os mais importantes preditores. O diabetes, a pressão alta, a gordura abdominal e fatores psicossociais foram preditores moderados. A atividade física, o consumo de frutas e vegetais e a utilização de bebidas alcoólicas foram os preditores menos importantes.
A avaliação destes fatores chama à atenção a importância do tratamento das doenças crônicas (diabetes, obesidade, pressão alta, colesterol alto) e os cuidados com os hábitos de vida (tabagismo, alimentação, atividade física e alcoolismo). A importância dos fatores psicosocias (stress, depressão, etc) veio com grande importância na avaliação do trabalho. O tratamento medicamentoso para a pressão alta, diabetes e colesterol alto, com as estatinas, são cuidados fundamentais para manter a saúde do coração.

Atenção para o mau humor! Ele pode estar escondendo uma depressão

A chamada distimia ou doença do mau humor está atingindo 3% da população mundial e muitas pessoas não percebem que estão doentes. Os sintomas são vários e os que chamam mais a atenção são: irritabilidade fácil, baixa autoestima, cansaço crônico, tendência ao isolamento, emagrecimento, agressividade e dificuldade para dormir. Os sintomas devem estar presentes durante um período longo (anos), pois não se deve confundi-los com um período difícil profissional ou pessoal.
A distimia é provocada por características genéticas, psicológicas e ambientais. As substâncias, como a serotonina e a noradrenalina, envolvidas na transmissão cerebral dos processos emocionais, estão alteradas. Os sintomas corporais são muito frequentes, como dores nas costas, de cabeça (enxaqueca), abdominais, e até alterações na pressão arterial.
Uma observação importante é que a distimia pode predispor à depressão. A Organização Mundial da Saúde descreve que 70% dos adultos com depressão tiveram distimia na infância ou adolescência. Desta forma, observar as modificações do humor e procurar ajuda especializada quando as dificuldades forem persistentes seriam as orientações para evitar processos mentais mais graves tanto nos adultos como nos jovens.

Risco de doenças cardiovasculares em mulheres executivas é maior

Nos últimos 25 anos, o perfil da mulher mudou muito em relação ao trabalho, acrescentado à rotina de cuidados com a casa e com os filhos, aumentando a carga diária trabalhada. Diante do cenário usual do mercado de trabalho, a competição é fator predominante. A competição gera ansiedade. E a maioria das pessoas busca em outras atitudes a amenização dessa sensação que incomoda, por exemplo comendo mais, bebendo, fumando ou trabalhando durante longos períodos sem descanso.

Antes da menopausa, as mulheres estão menos suscetíveis às doenças cardiovasculares, por ainda contarem com a proteção dos hormônios, os estrógenos. Porém um estudo epidemiológico mostrou que o derrame (acidente vascular cerebral) foi a maior causa de morte entre as mulheres de 15 e 50 anos. As mulheres tendem a se preocupar com o câncer e esquecem as doenças cardiovasculares.

O período pós-menopausa apresenta um aumento enorme de risco em relação às doenças, uma vez que, além dos fatores naturais oriundos do envelhecimento, a mulher não conta mais com a proteção natural dos seus hormônios, ficando mais sensível e desprotegida.

Portanto, a mudança de comportamento, composta por aspectos como a entrada definitiva da mulher no mercado de trabalho, a posição ocupada na sociedade atualmente, as responsabilidades e instabilidade, não vem apenas acompanhada de respeito e sentimento de conquista. Tudo isso acarreta também uma maior necessidade de cuidado com a saúde, fragilizada por diversos fatores do cotidiano agitado que levamos.


Hipertensão e obesidade

Os pacientes com pressão alta, quando comparados aos indivíduos normais, apresentam maior incidência de obesidade, sendo o ganho de peso um fator determinante na elevação da pressão arterial. A obesidade é acompanhada de maior risco de doença cardiovascular, pois está associada ao aumento dos níveis de colesterol ruim (LDL colesterol) e diminuição do bom colesterol (HDL). A chamada tolerância à glicose diminui na presença da obesidade, favorecendo a presença de Diabetes. Esses fatores levam ao desenvolvimento da sobrecarga do ventrículo esquerdo, o que pode comprometer a função cardíaca.

O Estudo de Framingham, que acompanhou a população dessa cidade durante 44 anos, mostrou que o excesso de peso foi responsável por 26% dos casos de pressão alta nos homens e 28% nas mulheres. A doença das artérias coronárias também foi influenciada pelo excesso de peso, que contribuiu em 23% dos casos nos homens e em 15% das mulheres.

O risco de doença cardiovascular também foi bem maior em pacientes com obesidade abdominal ou central. A avaliação dessa gordura localizada pode ser feita pela medida da cintura abdominal (maior que 102 cm nos homens e 88 cm nas mulheres) ou pela proporção da circunferência da cintura em relação à dos quadris (maior que 0,95 nos homens e 0,85 nas mulheres). A presença da gordura abdominal favorece a inflamação das artérias e facilita o depósito de gorduras nas suas paredes, levando à obstrução e aos eventos graves como infarto e derrame.


Prevenção das doenças cardiovasculares nas mulheres

Embora as doenças cardiovasculares sejam a principal causa de morte tanto para homens quanto para mulheres, o sexo feminino acumula uma série de fatores de risco que aumentam a chance de desenvolver infartos ou derrames no período da pós-menopausa. São eles a obesidade, o colesterol elevado e a pressão alta. Os dois últimos fatores aumentam em 30% e 25%, respectivamente, o risco de infartos. Além disso, atualmente 18% das mulheres brasileiras são consideradas obesas e 53% estão com sobrepeso. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo. No caso do sexo feminino, a incidência é maior – essas doenças representam 32% de todas as mortes de mulheres e 27% dos óbitos de homens. A observação das diferenças da doença cardiovascular entre homens e mulheres trouxe alguns novos conhecimentos.
Por volta de 8 milhões de mulheres morrem todo ano no mundo por doenças cardiovasculares: aproximadamente uma a cada minuto. A formação da placa de gordura é difusa nas mulheres, dificultando o diagnóstico precoce da obstrução das artérias. Além disso, mulheres têm duas vezes mais chances de morrer do que os homens após uma cirurgia de ponte de safena. Os novos estudos mostram que 38% das mulheres morrem dentro de um ano após sofrer um infarto, comparado a 25% dos homens. Outro achado é que a combinação pílula anticoncepcional e consumo de mais de 15 cigarros por dia aumenta de três a cinco vezes o risco de problemas cardiovasculares.
Desta forma a prevenção das doenças do coração nas mulheres é tão importante como nos homens.

Gordura visceral, a grande vilã

Nosso corpo apresenta um tipo de gordura, distribuída em várias regiões abaixo da pele, chamada gordura subcutânea. Além dessa, um outro tipo de gordura aparece envolvendo as vísceras (fígado, pâncreas, intestinos), daí o nome de gordura visceral, que se acumula caprichosamente na cintura.
O maior problema é quando grande parte da gordura fica na região abdominal, pois ela passa a ser uma barreira para a circulação do sangue na região. Estas células gordurosas facilitam a inflamação, que é um estímulo importante para o depósito das gorduras nas artérias (aterosclerose), favorecendo a obstrução destas e assim levando ao infarto e ao derrame. A gordura visceral ainda aumenta a resistência ao hormônio insulina (responsável por tirar o açúcar do sangue e colocá-lo nas células), facilitando o diabetes.
Desta forma, até o índice de massa corpórea (IMC), que relaciona peso e altura, já não é mais tão eficaz para o risco cardíaco, devendo ser substituído pela relação cintura-quadril. Esta nova medida é conseguida dividindo a largura da cintura pela largura do quadril (em cm), sendo que este índice terá que ser até 0,9 para o homem e até 0,85 para a mulher. O risco de um infarto do miocárdio em indivíduos que têm o índice cintura-quadril acima do normal é de 25% maior dos que têm valores normais. O importante é observar que a obesidade é um fator de risco importante, porém a gordura abdominal (visceral) aumenta em muito o risco de doença cardiovascular.

Cigarro eletrônico – melhor ou pior?

A imposição da comunidade e das autoridades em afastar os fumantes dos locais públicos vem estimulando a criatividade das indústrias do tabaco a tentarem trazer novidades. Uma das mais recentes vem dos Estados Unidos, com a proposta do cigarro eletrônico. O aparelho é movido a pilha, oferece uma dose de nicotina sem cheiro, sem aditivos ou alcatrão e além do mais cria uma fumacinha de vapor que parece a do cigarro. Esses cigarros não geram poluentes e desta forma poderiam ser usados em locais públicos como restaurantes, shoppings, escritórios, etc. O problema é que ainda não houve uma investigação científica adequada e as autoridades não podem dar um parecer favorável sem essas informações.

A Agência Federal Americana de Medicamentos e Alimentos (FDA) deu um parecer, não aprovando. Os cartuchos de nicotina vêm com aromatizantes e propilenoglicol, líquido cujo vapor se assemelha à importante fumacinha do cigarro. Os cigarros são vendidos num kit com todos os ingredientes por um preço ao redor de 150 dólares. Os fumantes não querem esperar as investigações e sim arrumar uma alternativa para continuar fumando sem incomodar os outros, mesmo que continue fazendo mal para si próprios.

A idéia é interessante, porém mantém o risco da nicotina para os fumantes e não há testes suficientes para a segurança dos usuários.



Preço alto para os carnívoros

Muitos de nós ainda lembramos como a carne era considerada um alimento de luxo, sendo comida em situações muito especiais. Os tempos mudaram e a quantidade de carne consumida por pessoas nos últimos 50 anos dobrou. Um estudo que acompanhou mais de 500 mil americanos mostrou que este hábito tão saboroso está custando muito caro para estas pessoas. A primeira constatação é que quem come muita carne, mesmo as processadas, do tipo presunto, bacon e salsichas, vive menos do que quem come pouca, e ainda morrem das causas mais comuns, como de doença do coração e de câncer. A ingestão de carne vermelha foi relacionada com a maior incidência de câncer do intestino e da próstata.
A alternativa de se comer mais peixe em substituição à carne diminui pela metade a incidência de câncer de próstata. As mulheres que ingeriram menos quantidade de carne e gordura reduziram em 40% o risco de câncer de ovário. Não há dúvida que quem come mais aves e peixes, frutas e verduras tem maior sobrevida que aqueles que não comem quantidades adequadas. Desta forma, repetiremos aquela frase já conhecida, mas muito significativa: continuamos morrendo pela boca!

A palavra é prevenção, porém quase ninguém faz!

A observação dos cardiologistas é que os pacientes não se deram conta da importância da prevenção das doenças crônicas. No Brasil, as doenças cardiovasculares matam 300 mil pessoas por ano, e como já dissemos isso vai aumentar muito nos próximos 30 ou 40 anos nos países emergentes. A falta de informação parece ser o fator mais relevante, conforme mostrou uma pesquisa feita pelo Conselho Latino-Americano para cuidado cardiovascular. Há também uma falta de conhecimento médico das metas de tratamento, como por exemplo do colesterol alto no sangue. Esta pesquisa avaliou também a aderência dos pacientes ao tratamento para baixar o colesterol, pois este fator é fundamental para o aumento dos casos de infarto do miocárdio e dos acidentes vasculares cerebrais, o conhecido derrame. Este estudo também mostrou que, dos indivíduos com colesterol alto no sangue, apenas 50% seguiam o tratamento adequado.
O que acontece é que os pacientes tomam a medicação durante um tempo (em geral dois meses) e acham que estão curados, ao invés de manter a medicação contínua.
O tratamento do colesterol alto requer medicação contínua para evitar o depósito de gorduras nas paredes das artérias, o que causaria sua obstrução. É muito importante que os médicos solicitem a dosagem do colesterol, triglicérides, glicose, ácido úrico, entre outros, pois os pacientes, em geral, não têm sintomas no início da doença e só se dão conta quando apresentam um quadro agudo, por vezes fatal.